segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lancha PT-109 - autor : Bismarck



Segunda resenha do nosso I Concurso de naval do Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=83136&tid=5495254039251592707),  que contempla um barco com sabor de aventura : a famosa PT-109 comanda por JFK durante a SGM e representada pelo kit da Revell em escala 1/72. Como não conheço o kit, não posso emitir opinião pessoal, mas segundo o próprio Bismarck é um daqueles meia-boca da Revell, cheio de falhas e ótimo para quem gosta de praticar 'funilaria em plastimodelismo. Mas como se diz no Ceará, 'só tem tu, vai tu mesmo' !

Mas no sério : eu gostei muito do trabalho feito pelo Bismarck pois ele simplesmente não 'saiu montando' o modelo, se preocupou em melhorar o kit, acrescentando detalhes como por exemplo adicionando fios de cobre para simular as tubulações dos lançadores de torpedo, o tipo de do detalhe que dá outra vida à qualquer modelo!

A telinha adicionada ao bote (que segundo o autor é péssimo) também é um caso à parte, vejam que bacana :

...sem contar o detalhe da corda, dos remos...ficou muito legal. E se a beleza está nos detalhes em plasti isso é mais verdadeiro ainda.

Uma detalhe que sempre tem que ser observado em qualquer tipo modelo mas principalmente em naval é a questão de dar volume à pintura. O que é isso ? Simples : navios e barcos, ao contrário de aviões e tanques, com suas belas camuflagens, normalmente são monocromáticos e em sua maioria, cinza. Claro que existe a parte submersa, mas também é monocromática : hull red. Mas em navios até a SGM haviam os conveses de madeira : sim mas cor de madeira. O que isso quer dizer ? Que se o modelista não se preocupar em realçar as linhas de contorno, os detalhes em relevo, as obras do convés, o modelo fica altamente artificial, parecendo um brinquedão. Vamos ver como o autor contornou a situação.

Pintura chapada simples. Vejam abaixo como fica a pintura na cor única do casco : totalmente sem detalhe, cor chapada, detalhamento pobre.

 Mas nosso colega sabe das coisas e fez o dever de casa :

A diferença é gritante : vemos os contornos, os detalhes do convés, a sujeira. O aspecto se torna real e convincente.
Porém faço uma ressalva exatamente nesse quesito : o autor 'pesou a mão' quando foi realçar esses detalhes. O que quero dizer com isso ? O que sempre costumo dizer sobre  'respeitar a escala até na sujeira e ferrugem'. Na minha opinião era para ter ficado um pouco mais sutil. Ficou realçado demais, especialmente porque usou somente preto. Deveria ter feito ou um preshading em preto ou um drybrush em um tom mais escuro de olive drab. E no caso dos anéis dos tubos de torpedo eu iria além e faria um drybrush em um tom mais claro. O barco de verdade não teria tantos cm de sujeira em torno do metal :


Também não gostei do efeito de desgate aplicado ao barco - o pincel não foi uma boa opção, teria sido  melhor fazê-lo aplicando o giz pastel, fosse em cor de ferrugem ou um verde mais claro para simular o desgaste da pintura provocado pelo escorrimento da água. Imagino que tenha sido essa a intenção do autor.

Alguns detalhes da lancha : bandeira,  hélices, tudo muito bem cuidado. Gostei do efeito de 'bandeira ao vento'.

Uma visão geral do barco. Cordas de apoio passadas, armamento bem cuidado, nenhuma marca de emenda visível :





Ponto para o autor : desgaste em tom mais claro no convés, eliminando a cor chapada e dando realismo.
A lona de proteção não achei muito legal. Ficou parendo fita crepe enrolada. Poderia ter pintado a fita em olive drab mais escuro e depois aplicado o drybrush em um tom mais claro para destacar os drapeados.

Mas fora esses pontos abordados, o autor está de PARABÉNS. Ficou muito realista e convicente o modelo. Naval e dar vida ao cinza e no caso, ao oliva. Muito bom mesmo.

Marcelo Albuquerque - 01/11/10

domingo, 31 de outubro de 2010

USS Arizona - autor : Kleber




Olá amigos ! Iniciando a última fase do I Concurso de modelismo naval do Orkut: foram 3 meses de muitas trocas de experiências e idéias, sempre contando com a cordialidade e espírito participativos dos membros da nossa comunidade.

Para os que quiserem ler os posts, segue o link : http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=83136&tid=5495254039251592707




O primeiro kit finalizado foi o Arizona montado pelo nosso colega Kleber : kit da Hobbyboss, à escala 1/700 que me pareceu bem interessante, detalhado e que dada a beleza natural do navio, gera um belo modelo após montagem.

Acima uma visão geral no bichão : uma bela base imitando ferro fundido, hélices em cobre natural, pintura seguindo o padrão final do infeliz navio.
Observamos que em termos de cores nosso colega seguiu bem as orientações do manual e as respectivas tonalidades do casco abaixo e acima da linha d'agua, bem como a pintura branca da ponte de comando e do posto de controle de tiro. Também se preocupou em colocar linhas para imitar os cabos e antenas do navio. Esses cabos poderiam ter levado um pouco de tinta escura, ficaram claros demais, além de um efeito de curvatura devido ao 'peso' do original. A flag jack da proa tb merecia um pouco mais de cuidade pois a face interna branca ficou aparecendo.



Aqui vemos mais uns detalhes dos cabos, do efeito de sujeira no tombadilho. Pintura em amarelo dos escaleres e barcos de salvamento (que achei meio carregados no amarelo), de duas torres de tiro com detalhe do modelista ter incluído os foles dos canhões.

A impressão geral que temos é que o modelista sabe tudo o que tem fazer, quais detalhes acrescentar. A colocação dos PE das amuradas é um ponto muito positivo.

Entretando existem pontos que precisamos destacar e considero a pintura o principal deles : está muito grossa, principalmente do convés, a ponto de cobrir detalhes. Independente se for de pincel ou aerógrafo a finura da pintura é essencial especialmente em barcos devido à escala. Uma pincelada mal dada gera um destaque muito mais perceptível em um navio do quem em avião 1/72. A pintura de navio pode estar gasta, suja, enferrujada mas nunca grossa.

Na pintura da meia-nau é que a coisa pegou : a quantidade de tinta foi tão grande que gerou efeito de capilaridade nos detalhes, a tinta subiu, escondendo as junções.







Como os as amuradas já estavam coladas não dava mais para colocar na soda caústica para recomeçar o trabalho de pintura. O PE normalmente é a ultima coisa que se coloca em um kit. Eu normalmente pinto à parte e depois que adiciono ao modelo.

Na foto abaixo mais um pouco do dito : boa preocupação com os detalhes do convés, correntes das âncora em destaque, mas a tinta do convés 'subindo' pelos detalhes. Mesmo com alguns efeitos de desgaste o tombadilho ficou com o efeito de cor chapada, pois o ideal é que algumas das pranchas fiquem em cores diferentes para dar o efeito de madeira (eu sei que isso é um saco, especialmente em 1/700, mas naval é para os fortes mesmo...).



Assim podemos dizer que para um iniciante em naval (lembrando que esse kit é em 1/700...) o Kleber acertou mais que errou e não tenho dúvida que se continuar no ramo, ainda irá nos presentear com belos modelos.

Marcelo Albuquerque - 31/10/2010 (dia em que o Brasil elegeu sua primeira presidente !)