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sábado, 26 de fevereiro de 2011

IJN Yamato - autor : Igor



Antes de mais nada tenho que pedir desculpas aos participantes do concurso por ter lavado tanto tempo para postar essa última resenha. Juntou uma viagem, fim de ano, problemas no trabalho, outra viagem e uma certa falta de saco, é forçoso dizer... mas enfim aqui estamos.
O modelo em questão é o kit em 1/350 da Tamiya, que já tive o prazer de montar e ter o desprazer de deixar o trabalho 95% concluído, viajar, passar 4 anos fora e quando voltar ver que a marinha americana não teria feito um trabalho melhor de destruição...mea culpa por não ter guardado o navio em uma caixa própria. Triste foi ver os photoetched da Gold Medal Models corroídos pela maresia de Fortaleza.

O Yamato dispensa apresentações : maior encouraçado da história, infelizmente chegando tarde para uma guerra naval dominada pela aviação. Teve um papel secundário nas operações japonesas e sua missão mais notória foi seu último raid, indo de encontro à uma frota americana com combustível somente de ida, sem barcos salvavidas, em uma inútil missão kamikase tão ao gosto dos japoneses. Bombas e torpedos o colocaram à pique antes de chegar ao objetivo.  Ao navio e ao meu kit : Rest in peace.



Essa edição vem em uma caixa em que a tampa já vale a pena emoldurar : uma imagem belíssima da proa do bichão exibindo em destaque o crisântemo tão presente na cultura nipônica.
O modelo está muito bem montado, começando pela base onde o Igor deu um efeito interessantíssimo na plaqueta com o nome da nave :






Pena que as fotos enviadas não foram em uma resolução maior para melhor apreciarmos os detalhes. Acima uma visão lateral do navio onde podemos observar os cabos, um aspecto realista do modelo. Vejam como fica imponente em sua base.

Abaixo uma visão da proa e as duas torres triplas dos canhões de 18.1 pol. Isso dá cerca de 46 centímetros...Como eu gostaria de presenciar uma salva de canhões desse calibre ! Devia ser uma coisa de louco. Apesar da baixa qualidade da foto conseguimos ver que o nosso colega Igor fez o dever de casa e pintou o convés com tons diferentes de cor para realçar o aspecto de madeira. As estruturas de metal estão muito bem destacadas da 'madeira', sem manchas de pintura que matam qualquer modelo. Vai um puxãozinho de orelha por conta da emenda das duas partes do convés : deveria ter passado o puty ao menos para disfarçar, mas ficou totalmente exposta ! Poderia também ter realçado as correntes das âncoras. Um drybrush pela proa teria dado um toque a mais.


Aqui a meia-nau e popa. Vejam como os projetistas do navio se preocuparam em criar uma 'fortaleza' em torno das estruturas centrais do navio. Um avião que tentasse um ataque à essa região iria enfrentar um formidável fogo antiaéreo. A chaminé, graças à pintura. ficou legal dando a sensação de ser oca, o que não ocorre no kit. O autor também se preocupou em dar um efeito de realçe nas torres antiaéreas, escurecendo o local por onde corre a fita de munição.


O Yamato tinha um grupo aéreo numeroso com direito à um poço para manutenção ! Não sei se conseguiam guardar os aviões internamente. Vemos que o modelista fez a lição de casa direitinho e os aviões ficaram muito bons, com direito a todos os decais que vem no kit. Pena não ter incluído um kit de photoetched para adicionar hélices aos aviões e amuradas ao navio. Aqui vai outro puxão de orelha : no barco menor (que não é o que deveria estar aí - eu guardei as instruções, Igor !) visto na foto, o modelista deixou os furos originais ao invés de removê-los. Se não desse para tirar ao menos tampar com puty, não deixar esses buracos.



Achei legal ter deixado um dos aviões ficar pendurado pelo guindaste. Mas o fio que usou ficou grosso demais. Plastimodelismo é assim : se for melhorar alguma coisa, cuide para que fique realista. Para isso deveria ter usado um fio de núcleo de transformador (o mais fininho de todos), enrolado em si mesmo (para parecer um cabo de aço) e pintado com betume da judéia para dar o efeito de engraxado. A bandeira do Sol Nascente ficou show.


A avaliação geral do kit é : ficou excelente ! Tem os defeitinhos citado acima mas que não comprometem o resultado final. Como disse nas resenhas dos outros modelos em 1/350 essa escala pode ter a vantagem de ser grande, mas por isso mesmo exige do modelista empenho em adicionar detalhes para dar maior realismo. E isso o Igor conseguiu, Ganhou até um prêmio :






Com essa resenha finalizamos essa etapa do concurso. A próxima será a declaração do vencedor. Vou deixá-los em suspense esse domingo e declarar o vencedor só no final do dia, depois do BBB11 (eca !).

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

DKM Tirpitz - autor : Gabriel

Nosso colega Gabriel não somente aceitou o desafio de montar um modelo em 1/350 como ainda de quebra apresentou NAE em 1/700, montado em tempo recorde. Por hoje falaremos somente do Tirpitz.


O primeiro modelo apresentado foi um Tirpitz 1/350 da Academy. Quando estive em Blumenau (onde conheci o Oráculo) tive a oportunidade de comprar um modelo desses por R$ 150,00...ok, ok..deixei passar essa. Mas deu para notar que o nível é digno da Tamiya, moldagem muito boa mesmo.



A história do Tirpitz acredito que a maioria já conheça : irmão gêmeo do Bismarck, foram uma classe de encouraçados lançada com o objetivo primário de guerra de corso, ou seja, voltados para o afundamento de navios mercantes. Uma visão um tanto atrasada do comando alemão (ou do cabo austríaco ?), pois para isso os U-boat de sairiam bem melhor como foi provado na Primeira Guerra. E também reflexo da visão ainda pouco 'aérea', onde o encouraçado era a peça principal do poder naval e não o porta-aviões. O resultado foi trágico para o Bismack, afundado em sua primeira missão (inutilizado pelo torpedo de prosaico Swordfish) e melancólico para o Tirpitz, que passou boa parte da guerra escondido em constantes reparos nos fiordes da noruega, até ser definitivamente afundado por um ataque aéreo da RAF. De fato os aviões foram cruéis com os belos encouraçados... Quem se interessar pode os restos submersos do navio (na verdade é a plataforma utilizada para desmanchá-lo após a guerra, mas boa parte do casco ainda está lá) : http://maps.google.com/maps?ll=69.647222,18.807222&spn=0.01,0.01&t=m&lci=org.wikipedia.en&q=69.647222,18.807222%28German%20battleship%20Tirpitz%29

Mas vamos ao modelo do Gabriel. Ele optou pelo característico padrão de camuflagem do navio, faixas brancas e negras formando cunhas no casco.  O aspecto geral do navio ficou muito parecido com o Bismarck anteriormente apresentado : muito bem montado, bem pintado mas sem marcações para tirar a monotonia do cinza do e do marrom do convés. No caso do Tirpitz que sofreu um pouco ao longo da vida, precisava de um envelhecimento para ficar mais realista.  Também poderia ter estendido a pintura da camuflagem à ponte e estruturas do convés (ajoelhou tem que rezar, colega !). No entanto ressalto que o autor saiu-se muitísimo bem na pintura da camuflagem : de cara branco com preto, sem manchar nem borrar. Observem a finura de algumas das cunhas.


A suástica ficaria muito bem nesse convés...Acho interessante como tanto o kit da Tamiya como da Academy serem pobres em decais. Que custava incluir o brasão dos barcos, bem como as marcações do calado ? São detalhes assim que vão fazendo diferença. As âncoras ficaram pouco realçadas.



No caso de navio em escalas grandes como 1/350 podemos até usar artifícios como simular zonas de sombra para tirar a monotonia do cinza e aumentar o realismo. Podia também ter pintado umas bóias.
E como sempre, batendo na tecla do efeito de madeira do convés...a cor chapada não fica legal. 1/350 é para detalhar mesmo...as virtudes e os defeitos aparecem mais.




Truque citado acima, aplicado no meu USS Saratoga (amigos, estou lhes entregando o ouro !) : é bastante sutil, e só fica bom se for assim. Observem que abaixo de cada torre de AA existe uma zona de sombra. Isso foi feito com aerógrafo. Por isso que aparece mesmo tirando a foto com flash. Sem contar (como diria Luis Melodia) com o auxílio luxuoso do giz pastel espalhado por várias partes do convés. Para quem ainda tem alguma dúvida : giz pastel é tão essencial no plasti quanto a tinta e a cola.

O autor passou uma quantidade interessante de cabos,  mas não sei se é efeito das fotos mas me parece que o mastro principal ficou inclinado por conta do esticamento das linhas. Lembro que os cabos de navio não precisam ficar totalmente esticados pois na vida real eles se curvam pela força da gravidade, da mesmo forma como fios elétricos que vemos nos postes.

Meia-nau ressaltando os cabos. Observar que o autor colocou os cabos dos guindastes. Poderia ter feito o gancho com fio de cobre (em formato de azol) e plasticard em trapézio como suporte.



Aviões bonitinhos e bem cuidados. Mas em 1/350 dá para fazer umas hélices em scratch. E passar uma antena com sprue bem fininho.


Da mesma forma que disse ao Daniel, foi tão longe, poderia ter ido mais além, especialmente com um 1/350 nas mãos..o modelista tem obrigação de detalhar.
Mas ressaltando, o navio está muito bom, a montagem excelente, sem nenhum defeito visível de 'funilaria' e com um pouquinho mais de paciência pode dar uma guaribada (é só cearense que conhece esse termo ou os 'do sul'  também ??). Parabéns ao Gabriel por essa empreitada e estamos no aguardo de novos modelos.

Marcelo Albuquerque -  22/11/2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Encouraçado DKM Bismarck - autor : Daniel


Olá amigos, segue a nossa terceira resenha do I Concurso de Plastimodelismo Naval do Orkut, referente ao kit do Bismarck da gloriosa Tamiya em 1/350.
Fiquei feliz com a escolha do modelo, principalmente por ter sido o primeiro 1/350 inscrito no concurso e por ser do Bismarck, um navio belíssimo e digno representante do que era o 'poder naval' nas eras pré aviação e pré míssi, quando o canhão falava mais alto e era preciso ser bom de mira.
A história dramática do Bismarck é bem conhecida e embora fosse poderosíssimo, sempre achei que seu renome se deve mais à lenda que se formou que pelo navio em si. Ok, ok, ele afundou o Hood, mas possivelmente se isso não tivesse ocorrido teria fama semelhante ao seu irmão de classe Tirpitz, que passou a maior parte da guerra escondido em fiordes da Noruega em constantes reparos até ser definitivamente afundando em um ataque aéreo da RAF.

Mas vamos ao kit e à montagem. Já vemos acima o convés pintado em tom de madeira, observando-se que os detalhes do convés foram corretamente mantidos em cinza. Pintar esses detalhes em tom de madeira é imperdoável, mesmo para um modelista inexperiente. Madeira é madeira, aço é aço e jamais se trocam as cores de ambos.


Gostei muito do cuidado com a linha d'agua : nosso colega mascarou a mesma direitinho e não ficou borrada. Dada a escala com que se trabalha em naval, mesmo na 1/350, supostas falhas de pintura, ou pinturas feitas à mão, não seriam visíveis em um navio real, portanto a marcação da linha tem que ser perfeita, lisinha.
Sem contar a beleza natural do casco. Os engenheiros da Blohm + Voss capricharam nesse quesito. E vejam a altura do calado do bichão : tinha que deslocar muita água para se manter flutuando (42000 toneladas). Mesmo em NAE americanos modernos não se vê mais essa proporção calado x casco. Folhinhas de aço soldadas uma na outra, fazer o quê...


Nosso colega não enviou mais fotos da montagem, então seguem-se os comentários da montagem final.
Aqui uma bela visão do bichão depois de pronto. O autor optou por não pintar as típicas faixas brancas e negras nas laterais, nem a suástica no convés de proa e da popa. Isso teria enriquecido bastante do modelo. Achei estranha a disposição das âncoras, colocadas sobre o convés e não nos nichos do casco, mas pesquisando na net vi que aparentemente era desse jeito mesmo. Mas faltou no kit a âncora da frente, estranho a Tamiya ter deixado isso escapar. O autor também merece um puxão de orelha por não ter realçado a corrente das âncoras, fosse usando pincel no 'braço' ou passando o drybrush.



Olha ela aí...e nessa foto ainda fico em dúvida se as outras âncoras não deveriam repousar no nicho lateral.

O perfil característico da classe. Ocupa a largura inteira da bancada.

Sobre o modelo apresentado chama a atenção como está bem montado e pintado, sem falhas visíveis e respeitando as cores do original, mas (sempre tem um 'mas')...faltou ousadia ao autor : antes de entrar em detalhes divido com vocês uma reflexão : o que é mais difícil, montar um kit 1/350 ou um 1/700 ? As peças do 1/700 são menores, mas são menos numerosas. As peças do 1/350 são maiores e mais fáceis de pintar e manusear. Mas também são mais visíveis. O modelista então tem que caprichar mais ? Enquanto eu próprio não sei responder essa pergunta vejo que o Daniel fez tudo direito, trabalho nota 10, mas se esqueceu de 'dar vida' ao navio. Vejam o convés : cor chapada em tom madeira, sem fazer distinção alguma das pranchas, que em 1/350 são perfeitamente visíveis.


A título de comparação, vejam o convés do meu KGV em 1/700. Esse efeito foi dado da forma mais trivial possível : betume da judéia passado em diferentes diluições sobre tinta da 'madeira'. E fica bem razoável.


 Também poderia ter investido em photoetched...tudo bem que é caro, mas um kit desse nível ficaria muito mais rico com as amuradas, detalhes dos guindastes, etc. Poderia até ser um genérico, somente com a amuradas, mas aí teria que ter dado um detalhamento em outras peças. Fio de cobre serve para isso mesmo !


Também faltou mais cabos, o autor teve a iniciativa de aplicar alguns, mas poderia ser mais. O hidroplano tb merecia umas cruzes, se não tinha decalque, improvisava com mascaramento.


Foto em mais detalhe da ponte e estruturas : tudo limpo demais. O Bismarck não teve tempo de enferrujar e sujar, mas era preciso umas marcações para realçar as partes.


O resultado final deixou aquela sensação de 'chegou tão longe, podia ter feito mais`. Mas eu lembro que o próprio autor admitiu isso em post no tópico do concurso. Como disse, kit em 1/350 não sei se é mais fácil ou mais difícil, mas sei que precisa ser bem detalhado exatamente por ser maior. Mas não tem nada que impeça o autor de juntar um pouquinho de paciência a mais e dar o tempero que está faltando nesse belíssimo modelo. Verá que vale a pena.

Marcelo Albuquerque - 07/11/2010

domingo, 31 de outubro de 2010

USS Arizona - autor : Kleber




Olá amigos ! Iniciando a última fase do I Concurso de modelismo naval do Orkut: foram 3 meses de muitas trocas de experiências e idéias, sempre contando com a cordialidade e espírito participativos dos membros da nossa comunidade.

Para os que quiserem ler os posts, segue o link : http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=83136&tid=5495254039251592707




O primeiro kit finalizado foi o Arizona montado pelo nosso colega Kleber : kit da Hobbyboss, à escala 1/700 que me pareceu bem interessante, detalhado e que dada a beleza natural do navio, gera um belo modelo após montagem.

Acima uma visão geral no bichão : uma bela base imitando ferro fundido, hélices em cobre natural, pintura seguindo o padrão final do infeliz navio.
Observamos que em termos de cores nosso colega seguiu bem as orientações do manual e as respectivas tonalidades do casco abaixo e acima da linha d'agua, bem como a pintura branca da ponte de comando e do posto de controle de tiro. Também se preocupou em colocar linhas para imitar os cabos e antenas do navio. Esses cabos poderiam ter levado um pouco de tinta escura, ficaram claros demais, além de um efeito de curvatura devido ao 'peso' do original. A flag jack da proa tb merecia um pouco mais de cuidade pois a face interna branca ficou aparecendo.



Aqui vemos mais uns detalhes dos cabos, do efeito de sujeira no tombadilho. Pintura em amarelo dos escaleres e barcos de salvamento (que achei meio carregados no amarelo), de duas torres de tiro com detalhe do modelista ter incluído os foles dos canhões.

A impressão geral que temos é que o modelista sabe tudo o que tem fazer, quais detalhes acrescentar. A colocação dos PE das amuradas é um ponto muito positivo.

Entretando existem pontos que precisamos destacar e considero a pintura o principal deles : está muito grossa, principalmente do convés, a ponto de cobrir detalhes. Independente se for de pincel ou aerógrafo a finura da pintura é essencial especialmente em barcos devido à escala. Uma pincelada mal dada gera um destaque muito mais perceptível em um navio do quem em avião 1/72. A pintura de navio pode estar gasta, suja, enferrujada mas nunca grossa.

Na pintura da meia-nau é que a coisa pegou : a quantidade de tinta foi tão grande que gerou efeito de capilaridade nos detalhes, a tinta subiu, escondendo as junções.







Como os as amuradas já estavam coladas não dava mais para colocar na soda caústica para recomeçar o trabalho de pintura. O PE normalmente é a ultima coisa que se coloca em um kit. Eu normalmente pinto à parte e depois que adiciono ao modelo.

Na foto abaixo mais um pouco do dito : boa preocupação com os detalhes do convés, correntes das âncora em destaque, mas a tinta do convés 'subindo' pelos detalhes. Mesmo com alguns efeitos de desgaste o tombadilho ficou com o efeito de cor chapada, pois o ideal é que algumas das pranchas fiquem em cores diferentes para dar o efeito de madeira (eu sei que isso é um saco, especialmente em 1/700, mas naval é para os fortes mesmo...).



Assim podemos dizer que para um iniciante em naval (lembrando que esse kit é em 1/700...) o Kleber acertou mais que errou e não tenho dúvida que se continuar no ramo, ainda irá nos presentear com belos modelos.

Marcelo Albuquerque - 31/10/2010 (dia em que o Brasil elegeu sua primeira presidente !)